10.7.12

Sorria.

Agora, esse sorriso já não existe. Existe outro que o substituiu, um sorriso falso. Sumiu-se de uma maneira ligeira, como se estalasse os dedos e por magia me despedisse do meu sorriso. Me despedisse do meu motivo de sorrir. Ainda não estou habituada a que não seja meu, apesar deste longo tempo que passou, continuo sem me habituar. Para mim, serás sempre o meu motivo, o meu homem, o meu herói.
Sonho com os dias que eram realidade no passado, mas agora são apenas desejos que provêm da minha alma. Nem sei se me resta um pouco disso, de alma. Sinceramente, já não sei do que sou feita. Não sei avaliar as pessoas, não sei dizer que sei quando nem sequer quero saber. Falta-me interesse. Falta-me energia, força, esperança e confiança. Faltas-me tu, pequeno mundo.
Ando a desfazer-me aos poucos. Um pouco menos do que devia, um pouco mais do que pensava. Desfaço-me a cada passo que dou em direcção a ti, a cada olhar em que não existe um “nós”, a cada simples toque de lábios que fazes com outra criatura mística.
Ontem, perguntei-me o que me aconteceu. Sinto que depois de ti, não houve ninguém capaz de me fazer sorrir, capaz de me mostrar quem eu na verdade era, capaz de me fazer sentir bem, sentir amada. Depois de ti, não houve mais ninguém que fosse um motivo, tivesse uma razão, contasse uma piada ou me mostrasse a pior gargalhada de sempre. Depois de ti, não houve mais nenhum“nós”, apenas um “eu”.
Hoje, volto a perguntar-me o que me aconteceu. Sinto o mesmo que ontem. Nada muda. Apenas um “eu” nesta caminhada solitária. Não acredito no destino, não acredito no retroceder dos acontecimentos, não existem máquinas do tempo nem fadas madrinhas. Existem pessoas burras e inconscientes. Existem pessoas como eu, que largaram o mais belo sorriso, um dos verdadeiros e o substituem por um falso, talvez pensando que ninguém irá dar por conta de nada. Mas eu sei bem qual é a sensação de não ter o que não nos pertence. Sei bem o que é passar por um sítio e ter saudades, ouvir uma música na rádio e começar a chorar, sei muito bem o que isso é. Penso que sei bem demais.
Amanhã, perguntar-me-ei o que me aconteceu. Irei ser velha, usar roupas rotas e cuecas vários dias. Irei sair à rua, numa quinta-feira de manhã e saber que errei. Vou sorrir, disfarçadamente, e saber que apesar de não te ter ultrapassado, irei ser casada com um bom homem e ter dois filhos, o João e a Ana, que serão a minha vida.
O nome do meu filho não será em vão.
Será, apenas, para um dia se ele me perguntar o porquê do seu nome, eu lhe contar a história do meu primeiro amor.
Amar-te-ei para todo o sempre, João.