Madrinha
Sempre me disseram que não existiam fadas madrinhas, apesar disso, eu sei que tenho uma. Não podes dizer a ninguém, mas como confio em ti, vou contar-te uma história.
Há cerca de 15 anos, em acordei pela primeira vez, comecei a chorar porque tinha medo que me fizessem mal. Lembro-me que havia muita gente a olhar para mim, a pessoa a quem chamo de mãe estava a chorar, o senhor a quem chamo de pai estava a olhar para mim com um sorriso de orelha a orelha e disse: “Bem-vinda, Joana.”.Nesse instante soube que o meu nome seria Joana, tal como o meu pai me tinha chamado. O tempo passou e eu fui descobrindo cada passo, cada código misterioso, cada segredo para enfrentar este bicho a que chamam vida. Soube que tinha uma família e que o dever das famílias é amar-nos incondicionalmente daquilo que somos, fazemos ou pensamos. Têm o objetivo de nos encorajar e apoiar para sermos melhores pessoas. Agradou-me a ideia de existirem pessoas para fazer isso, sentia-me demasiado fraca para o ter de fazer sozinha.
De qualquer maneira, cresci, chorei, caí, sorri.
Sei que ao crescer me tornei uma pequena mulherzinha, pronta a enfrentar o mundo, sempre de mãos abertas para o que daí viesse. Tu ensinaste-me a ver o mundo de uma visão mais adulta.
Ao chorar, manifestei dor ou alegria, entusiasmo ou ansiedade, não interessa. Tu ensinaste-me que chorar faz bem, seja por bons ou maus motivos.
Caí, mas não fiquei no chão. Aprendi a não baixar os braços à primeira desilusão, levantei-me e disse muitas vezes “não desistas, és capaz!”. Esforcei-me por dar o melhor de mim, motivos irrelevantes não faziam parte da minha rotina para me deitar abaixo. Tu ensinaste-me a ser forte.
Sorrio várias vezes, aliás, maior parte do tempo o mundo vê-me a sorrir. Tu ensinaste-me a sorrir da mais bela maneira, a verdadeira. Ensinaste-me que não existem sorrisos perfeitos ou imperfeitos, apenas existem.